O SARS‐CoV‐2 (COVID‐19) é estável em diversas superfícies ‐ variando entre 50 mn (cobre) e 6,8 h (plástico e aço inoxidável) ‐ confirmando o seu padrão oral de infecciosidade

Referência: Doremalen Nv, Bushmaker T, Morris DH, Holbrook MG, Gamble A, Williamson BN et al. Aerosol and surface stability of SARS‐CoV‐2 as compared with SARS‐CoV‐1. New Engl J Med, March 17. DOI: 10.1056/NEJMc2004973

Análise do estudo: o objectivo principal deste estudo foi a caracterização da estabilidade do SARS‐CoV‐2 em aerossóis e superfícies variadas, comparando‐o com o SARS‐CoV‐1 (a estirpe mais próxima que também infecta humanos). Foram criados 10 cenários com os dois vírus em 5 condições ambientais, tendo a viabilidade viral sido demonstrada nos aerossóis e nas seguintes condições (mediana estimada da semivida): 0,8 h em cobre, 1,1 h em aerossol, 3,5 h em cartão, 5,6 h em aço inoxidável e 6,8 h em plástico. Em certas circunstâncias, foi detectado até 72 h nas duas últimas superfícies (mas com títulos muito baixos, sugerindo reduzida infecciosidade). As duas estirpes foram sobreponíveis em termos da sua viabilidade, indicando que as marcadas diferenças encontradas de maior agressividade do SARS‐CoV‐2 se devem a maiores cargas virais pulmonares combinadas com a transmissão do vírus em pacientes assintomáticos.

Aplicação prática: este estudo – que é laboratorial, portanto não definitivo – confirma a hipótese da transmissão oral de doente a doente e alerta para a necessidade de desinfecção de superfícies existentes na nossa casa, emprego, hospitais, etc. como medida preventiva da infecção pelo SARS‐CoV‐2.

Autores: Juan Rachadell , Raquel Vareda, Fausto S.A. Pinto, Rodrigo Duarte, Susana Oliveira Henriques e António Vaz Carneiro

Instituto de Saúde Baseado na Evidência (ISBE)