Em doentes COVID‐19, a idade é um factor fundamental na determinação do risco, já que está directamente ligada à presença de doença mais grave, à necessidade de hospitalização e à mortalidade

Referência: Verity R, Okell L, Dorigatti I et al. Estimates of the severity of coronavirus disease 2019: a model‐based analysis. The Lancet Infectious Diseases. 2020. doi:10.1016/s1473‐3099(20)30243‐7

Análise do estudo: com base nos dados de 24 doentes falecidos e de 165 recuperados na China, os autores criaram um modelo estatístico com o objectivo de estimar a gravidade, a mortalidade e a infecciosidade da doença COVID‐19. Foi calculada a duração média entre o início dos sintomas e a morte do doente, comparando‐a até ao momento da alta hospitalar dos doentes, sendo de 17,8 dias e 24,7 dias, respectivamente. O rácio de infecciosidade aparentava ser semelhante entre os diferentes grupos etários, contrastando com o rácio de fatalidade, fortemente dependente da idade do doente, que aumentava a partir dos 50 anos. Os grupos etários com idade mais avançada apresentaram maior taxa de doença severa e de mortalidade, tendo sido observados os valores mais elevados na faixa etária com 80 ou mais anos, que atingiu uma taxa de mortalidade de 13,4%. É de referir que estas estimativas se baseiam em dados obtidos numa fase inicial da pandemia. Como tal, o seu foco pode incidir principalmente em doentes mais graves, não contabilizando possíveis casos ligeiros ou assintomáticos que possam não ter sido identificados. Adicionalmente, a capacidade dos serviços de saúde de Wuhan foi rapidamente ultrapassada, podendo também contribuir para uma sobre‐estimativa das taxas referidas.

Aplicação prática: os dados deste estudo vão ao encontro de outros, relativos à evolução, à duração média e à taxa de mortalidade da doença. Apesar de serem cálculos realizados numa fase inicial da pandemia, permitem estimar o impacto que a mesma pode ter globalmente, em especial na população mais idosa.

Autores: Juan Rachadell , Raquel Vareda, Fausto S.A. Pinto, Rodrigo Duarte, Susana Oliveira Henriques e António Vaz Carneiro

Instituto de Saúde Baseado na Evidência (ISBE)

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