Dados obtidos no navio de cruzeiro Diamond Princess sugerem que, com base num modelo estatístico, cerca de 18% dos doentes infectados por SARS‐CoV‐2 poderão ser assintomáticos

Referência: Mizumoto Kenji, Kagaya Katsushi, Zarebski Alexander, Chowell Gerardo. Estimating the asymptomatic proportion of coronavirus disease 2019 (COVID‐19) cases on board the Diamond Princess cruise ship, Yokohama, Japan, 2020. Euro Surveill. 2020;25(10):pii=2000180.

Análise do estudo: após terem sido registado casos de doença por COVID‐19 entre os seus passageiros, o cruzeiro Diamond Princess, com 3711 passageiros e tripulantes a bordo, foi colocado sob quarentena entre os dias 5 e 20 de fevereiro de 2020, no porto de Yokohama, Japão. Até ao final da quarentena, 3063 dos passageiros e tripulantes foram testados. Desses, 634 foram positivos para SARS‐CoV‐2, incluindo 313 mulheres e 476 idosos (>60 anos). Entre os casos diagnosticados, 328 foram reportados como assintomáticos. A proporção de casos assintomáticos parece ter aumentado ao longo do período de quarentena, variando de 16,1% (35/218) no primeiro dia até 50,2% (320/634) no último dia. Os casos assintomáticos reportados incluem tanto os casos verdadeiramente assintomáticos como aqueles que se encontravam assintomáticos à data do teste. mas que viriam a desenvolver sintomas mais tarde. Por esse motivo, os autores produziram um modelo matemático que permitiu estimar uma verdadeira proporção de indivíduos assintomáticos de 17,9 % (IC 95%; 15,5 a 20,2%).

Aplicação prática: É sabido que uma proporção significativa dos infectados com SARS‐CoV‐2 são assintomáticos, pelo que se torna difícil saber a verdadeira taxa de mortalidade desta infecção. Neste modelo, a percentagem sugerida é de 18%. Mais importante que a taxa de mortalidade dos casos (que se obtém dividindo o nº absoluto de mortes pelos casos confirmados laboratorialmente) é a taxa de mortalidade dos infectados (nº absoluto de mortes dividido pelos casos mais os assimptomáticos, que não foram testados). Ao apresentar a estimativa de cerca de 18% de infectados sem sintomas, este modelo pode dar pistas para uma melhor abordagem epidemiológica global desta pandemia.

Autores: Juan Rachadell , Raquel Vareda, Fausto S.A. Pinto, Rodrigo Duarte, Susana Oliveira Henriques e António Vaz Carneiro

Instituto de Saúde Baseado na Evidência (ISBE)

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